
A OIT vem de publicar o seu "Relatório Global da OIT Igualdade no Trabalho: enfrentar os desafios". Neste trabalho, além de teimar nas velhas discriminaçons por questons de género e de raça, observam-se o que eles consideram os novos focos de discriminaçom: o obsessivo interesse pola saúde que converte em albo da discriminaçom laboral a fumadores, a obsessom pola idade que deixa fora os demasiado novos e os demasiados velhos. E, como nom, os LGBT que som objecto de discriminaçom e de violência física, verbal e psicológica.
Realmente, nom é nada novo que as pessoas LGBT som objecto de discriminaçom laboral. É um fenómeno velho que os LGBT tenham que ocultar a sua orientaçom sexual para conseguir trabalho, como para conseguir ou simplesmente manter muitas outra cousas em tantas situaçons vitais. Até agora, é o certo, a sensibilidade social ante este tema foi escassa. E também é o certo que até agora as gentes LGBT estiveram muito mais ocultos do que agora. Umha das características da condiçon contemporânea das pessoas LGBT é a sua vontade de visibilidade, sobretodo nas democracias avançadas e ainda nom tam avançadas, e nem tam sequer democracias. Já nom estamos resigandos a morrer num armário, nem a fazer durante 24 horas cada um dos dias da semana de polícias de nós próprios. O resultado é que nos convertemos em albo mais fácil da homofobia. Também as oportunidades para nós som maiores. E, sendo albos mais fáceis, a discriminaçom é mais óbvia, como nós próprios somos mais óbvios. Também nos nossos trabalhos.
Ainda que no âmbito laboral, como em tantos outros das nossas vidas, a classe social também conta, e é muito mais fácil ser gay rico que gay proletário, ser gay também segue marcando a diferença. Veja-se o caso recente do director executivo de BP, que tivo de dimitir quando já nom pudo impedir que os jornais figessem pública a sua homossexualidade. Claro, a situaçom de desamparo vital nom é a mesma em quem tem que abandonar o seu trabalho com uns centos de milhons de libras que a de quem tem que fazê-lo com um subsídio de paro que, no melhor dos casos, pode ser de 1000 euros. Mas, ainda assim, a discriminaçom afecta aos dous: nom se mede a sua capacidade laboral, senom o seu estilo de vida, que pouco ou nada tem a ver com o seu rendimento no trabalho.
Afinal é, que ainda que a nossa legislaçom felizmente avance, a homofobia cultural, mais ou menos subtil, mais ou menos tosca, característica do patriarcado, faz de nós uns aliens numha sociedade dominada por e modelada para os pais de família.
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