Os primeiros bairros gays estabelecerom-se nos Estados Unidos, especialemente em Nova Iorque e Sam Francisco, primeiro como refúgio onde um podia ser gay sem ser lapidado, e depois, perante a pandémia do SIDA como refúgio face a agressividade e temor das populaçons circumdantes. A SIDA, enquanto dizimou os bairros gays, paradoxalmente afortalou o seu sentido comunitário. Hoje estamos assistindo ao fenómeno contrário. Umha vez estabelecidos os bairros gays -- geralmente em zonas céntricas degradadas--, e arranjados, limpados e dotados dumha nova vida mais ou menos vibrante, estes começam a ser objecto da especulaçom urbanística. Os agentes imobiliários compram casas, prédios e terrenos, e começam a aparecer os novos habitantes dos nossos bairros: as famílias heterossexuais... e o panorama humano vai mudando. E os nossos bairros começam a desaparecer, aos poucos.
Para alguns, que desapareçam nom é mais que um sintoma da nossa vitória. Estamos cada vez melhor integrados e aceites na populaçom geral e assim a gente já nom tem medo de viver entre gays. Nom devemos ter saudades desses bairros que nom nascerom senom como ghettos nos que se nos permitiu viver. Para outros, porém, a desapariçom dos bairros gays falam nom tanto da nossa vitória quanto da nossa capacidade para transformar o invivível nalgo belo e desejável, enquanto as nossas vidas seguem a sofrer a homofobia mais ou menos intensa da sociedade.
O que si parece certo é que quando os bairros se vam heterossexualizando a segurança dos gays começa a pôr-se em perigo. Nom é que os novos habitantes heteros batam nos gays. Claro que nom é assim. Mas o que sim acontece é que as redes gays vam-se debilitando já que os gays e os seus locais desaparecem desses bairros ante a impossibilidade de poder pagar os alugueres cada vez mais altos que se pedem nestes bairros. Menos locais, menos gays, traduze-se em menos densidade das redes gays, e portanto em menor segurança para os gays que, mália a melhor aceptaçom social, nom deixamos de ser objecto para toda caste de macarras, pimbalhons e marulos que querem sentir-se bem com eles mesmos e esquecer o seu fracasso social batendo nuns maricalhos.
2 comentários:
Ummm realmente é uma desapariçom ou uma relocalizaçom? Outras comunidades tenhem-se movido polas grandes cidades ocupando diferentes bairros ao longo do tempo...
Nom se relocalizam, simplesmente espalham-se polas cidades sem fazer novos baiiros... por agora.
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